Como comprar um disco rígido: o seu guia essencial

Você precisa de espaço ou desempenho? Está fazendo um upgrade no laptop ou montando um PC novo para jogar? Seja qual for o seu caso, nós vamos te guiar pelo caminho que levará à melhor compra.

Armazenamento. Sempre necessário, quase sempre negligenciado.

Entre a empolgação com as novas GPUs DirectX 11 e CPUs hexacore, a capacidade básica de armazenar e recuperar os nosso arquivos é frequentemente deixada de lado em importância. Aquele disco magnético giratório nunca parece empolgante ou high-tech o suficiente – apesar da tecnologia usada nele também ser bem incrível.

Uma tecnologia que tem chamado atenção para os dispositivos de armazenamento atende pelo nome de SSD – Solid State Drives. Como o nome diz, são, drives de estado sólido, o que significa que, em vez de discos magnéticos giratórios, temos unidades de memória flash imóveis. Mas os SSDs não são perfeitos, como veremos a seguir. Repassaremos todas as opções de armazenamento para o seu sistema operacional e aplicações, para ajudar você a descobrir qual é a melhor para as suas necessidades. (Não vamos falar de armazenamento óptico – CDs e DVDs -, porém, já que este tipo é realmente secundário atualmente.)

Vamos mencionar brevemente a tecnologia e os jargões, depois olharemos para diferentes situações para determinar quais opções são mais apropriadas em utilização e preço. Começaremos pelos discos rígidos, depois daremos uma pincelada nos SSDs.

Os bons e velhos discos rígidos

Discos rígidos consistem em pequenos pratos revestidos com material magneticamente sensível. Estes pratos são projetados para serem empilhados em até cinco de cada vez, e rodam a velocidades de giro de até 15.000RPM. Alguns dos melhores discos rígidos para desktops chegam a 10.000RPM, mas a maioria fica na casa dos 7.200RPM. Os de 15.000RPM são geralmente utilizados em servidores.

10.000RPM é uma velocidade de rotação muito alta, e é o máximo que você vai conseguir em se tratando de um disco rígido para usar no PC de casa.

Um dos aspectos chave dos discos rígidos é a densidade de área – quantos bits conseguem ser gravados em uma polegada quadrada. Apesar da relativa maturidade da tecnologia, os fabricantes continuam a melhorar a densidade de área dos seus produtos. Tanto a Seagate quanto a Samsung anunciaram para o final de 2011 HDs com um terabyte por prato, ou 625 gigabits por polegada quadrada.

As cabeças magnéticas, montada em braços que são movimentados com a ajuda de um motor elétrico chamado atuador, são responsáveis pela escrita e leitura dos dados no disco. A tecnologia desta cabeça de leitura é tão crítica quanto a densidade de dados, porque as cabeças precisam ser extremamente sensíveis para ler os bits individualmente quando há 625 bilhões deles em uma polegada quadrada do disco.

Há diversos aspectos importantes que dizem respeito ao desempenho de um disco rígido.

Densidade de área. Quanto mais bits você consegue enfiar em um prato, mais rápido o drive é, todo o resto sendo igual. Na mesma taxa de giro, maiores densidades de dados significam que mais dados são lidos à medida que ele gira.

Taxa de giro. Quanto mais rápido o disco for girado, mais bits passam sob a cabeça, e mais dados são lidos por segundo.

Cache. A maior parte dos discos rígidos tem um pouco de cache DRAM. Geralmente, quanto mais cache, melhor. Os discos de mais alta performance chegam a ter 64MB de cache DRAM rápido.

Tecnologia da cabeça. A robustez e responsividade dos motores (atuadores) que movem a cabeça de leitura determina a velocidade com que a cabeça pode ser movida para outras áreas do drive. Isso afeta o desempenho de acesso aleatório.

Uma coisa que já não afeta o desempenho dos discos rígidos atualmente é a interface. Mesmo discos de 10.000RPM não consegue usar completamente o potencial uma porta SATA I, com sua taxa de acesso de 3 GB por segundo. A Seagate deu a entender que os dados vindos do cache 64MB do seu mais recente drive SATA 6gbps de segunda geração consegue saturar, mas isso seria por breves momentos e não teria nenhum efeito prático no desempenho.

A Seagate foi a primeira a chegar ao mercado com um disco rígido de 3TB e 7.200RPM, mas a BIOS do seu sistema precisa reconhecê-lo propriamente se você quiser configurá-lo como uma grande partição.

A Western Digital e a Seagate também fazem uma linha de drives “verdes” (com baixo consumo de energia). Os WD GreenPower geralmente giram a 5.400RPM, enquanto os Barracuda Green da Seagate são um pouco mais rápidos, geralmente a 5.900RPM. O consumo de energia enquanto em uso pesado nem é muito menor nestes drives, mas eles geralmente oferecem sofisticados modos de repouso que usam muito pouca energia. Este tipo de tecnologia está gradualmente migrando para os drives de performance mais alta.

Tecnologia SSD

Os drives de estado sólido ainda estão na sua infância tecnológica. Os produtos continuam a evoluir, e o desempenho aumenta com o tempo. Isso é verdadeiro principalmente no que diz respeito ao desempenho de escrita aleatória. A primeira geração de SSDs foi atrapalhada por tempos de escrita aleatória extremamente altos – geralmente muito mais lentos do que os antigos pratos giratórios. Isso está mudando com novas gerações de controladores, melhorias na coleta de lixo de memória (que reorganiza os dados para minimizar o número de blocos pequenos e vazios) e suporte ao comando “trim” em sistemas operacionais modernos, nos quais o sistema informa ao SSD quais blocos de dados são considerados deletados.

O custo por bit de um SSD é muito maior que o de um disco rígido e, dadas as limitações do processo de fabricação, continuará alto, apesar de ir sofrendo uma queda gradual. Atualmente, peças de memória flash com 25nm são o padrão, com as de 20nm despontando em breve no horizonte. Como observou Anand Shimpi em um artigo recente, os custos de chips flash impedem que os preços caiam. E a concorrência acirrada ocasiona a chegada ao mercado de produtos não completamente prontos.

Ainda assim, nós temos usado um sistema em RAID SSD no nosso sistema primário tanto para uso diário quanto para games, e seria difícil pensar em voltar atrás. Os tempos de boot incrivelmente curtos e o rápido carregamento de programas são sedutores, e a ideia de esperar para coisas carregarem é dolorosa. A maioria dos usuários não terá dinheiro para SSDs de alta capacidade ou para arrays RAID SSD, então os drives de tamanho modesto são os mais comuns. É por isso que se vê tantos SSDs de 120GB. Eles estão no ponto certo para um preço acessível.

Assim como nos discos rígidos, há alguns fatores que influenciam o desempenho:

Tipo de flash. Drives que usam flash SLC (Single-Level Cell) são mais rápidos do que aqueles que usam MLC (Multi-Level Cell), mas têm densidade menor, por isso os SLC são mais caros. No entanto, eles não apenas têm melhor desempenho, como também duram mais e consomem menos energia. Por isso são frequentemente usados em aplicações de servidor.

Interface. Diferente dos drives de pratos giratórios, os novos SSDs podem saturar uma interface de 3gbps. Por isso muitos estão se mudando para a nova especificação SATA 6gbps.

Controlador. O controlador incluso no próprio drive é o verdadeiro tempero secreto. Os discos rígidos antigos também têm controladores, mas nos SSDs o seu papel tem muito mais impacto no desempenho. A atual marca queridinha entre os controladores de SSDs é a Sandforce, com o seu SF-2281. Mas os da Intel são bem bons também. Vale mencionar também que a OCZ comprou recentemente a Indilinx, uma empresa de controladores relativamente nova. Ou seja, a guerra dos controladores provavelmente continuará.

Firmware. O problema real com SSDs é que a tecnologia é realmente nova. Em termos práticos, isso significa bugs. Se você passear por fóruns de hardware, verá que SSDs frequentemente têm problemas estranhos, como telas azuis e perdas repentinas de capacidade, entre outros.

Antes que você fique muito atolado em todos os detalhes sobre controladores e tipos de memória flash, lembre-se que qualquer SSD bom e atual vai oferecer um desempenho nada menos do que incrível para qualquer pessoa acostumada com discos rígidos. Depois de usar um PC com o seu novo e brilhante SSD instalado, você vai começar a querer e esperar que todos PCs sejam responsivos daquele jeito – e se perguntar por que o novo laptop da sua esposa parece tão lento. Dica: não é a CPU, nem a memória.

Um SSD de 120GB como este Patriot Wildfire é uma bela melhoria de desempenho para um laptop já não tão novo e rodando Windows 7.

A outra consideração importante a se fazer quando pensar em SSDs é a capacidade. Como dito, o “ponto” agora é os de 120GB, que variam de preço entre 170 e 300 dólares por drives feitos no tamanho padrão de 2,5 polegadas. Os novos SSDs de 240GB custam bem mais do que US$ 300, chegando a passar de US$ 500. Se quiser um SSD de 500GB, prepare-se para gastar mais de oitocentos dólares.

Agora que temos um entendimento básico dos discos rígidos e SSDs, vamos dar uma olhada nos cenários mais típicos.

O PC básico de escritório

Também conhecido como “o PC compartilhado lá da sala da minha casa”. Geralmente nada especial em termos de desempenho, muitas vezes até mesmo com gráficos integrados. Os programas também não exigem muito, consistindo de aplicativos de escritório e navegação de internet, com uma ocasional edição básica de imagem ou transcodificação de mídia. O preço do sistema inteiro muitas vezes não passa de US$ 500.

Drives “verdes” usam menos energia geralmente porque rodam mais lentamente, mas também oferecem opções de modos sleep para reduzir o consumo.

Este é o PC perfeito para um daqueles discos rígidos verdes. Se você está fazendo upgrade de um sistema mais antigo, clonar o drive de inicialização em um GreenPower de 1TB da Western Digital ou um Barracuda Green da Seagate vai melhorar a velocidade e aumentar substancialmente a capacidade.

O upgrade de laptop

O seu laptop já tem alguns anos nas costas, mas você não está preparado ainda para substituí-lo por inteiro. Se o HDD no laptop for de 250GB ou menos, definitivamente considere a opção de trocá-lo por um SSD de 120GB. Sim, você vai perder metade do espaço, mas terá alguns benefícios bem imediatos:

* O tempo de inicialização será muito menor. Esperar o boot de laptops com discos rígidos de 5.400RPM é como ficar vendo grama crescer.

* Você pode usar a hibernação em vez do sleep. O sleep consome mais energia que a hibernação, mas um sistema com SSD volta de uma hibernação praticamente tão rápido quanto voltaria de um modo sleep.

* SSDs são mais resistentes, já que não possuem partes móveis. As pancadas, quedas e movimentos bruscos pelo que passam a maioria dos laptops não causam praticamente nenhum estrago em SSDs.

Se você precisa de muita capacidade em um laptop, este disco rígido da Western Digital, com 7.200RPM e 750GB, é a resposta.

Se você realmente precisa de muito espaço no seu laptop — você viaja frequentemente com a sua câmera e está sempre copiando e editando muitas fotos, por exemplo –, pegue um disco rígido de alta capacidade, com 7.200RPM, como o Scorpio Black 750GB da Western Digital. Uma alternativa interessante seria o Momentus XT Hybrid da Seagate, com 500GB a 7.200RPM e um cache de memória flash com 4GB. O desempenho é um pouco melhor do que seria com um disco rígido comum, sem este cache, mas o ganho não é nem perto do que seria com um SSD de verdade.

O estúdio de mídia digital

Você edita muitas fotos — particularmente arquivos RAW direto da sua DSLR. Ou você faz vídeos e precisa de um sistema rápido com muita capacidade. Você precisa de espaço E desempenho, porque é contraproducente ficar esperando o carregamento de arquivos grandes o tempo todo. Também há a questão da segurança — backups são críticos, mas não discutiremos isso aqui.

Vamos considerar algumas configurações possíveis de armazenamento.

* Se a sua verba é curta, considere um HD de 2TB com 7.200RPM e 64MB de cache. Estes tipicamente custam menos de US$ 150 nos EUA.

* Se você tem um pouco mais de caixa, faça um sistema com um HD rápido de 1TB para os programas e um secundário de 2TB para dados.

* Se gastar algumas centenas de dólares a mais for uma possibilidade, adicione um terceiro drive de 2TB e combine-o com o outro em um array RAID 1 (sim, RAID 1) para redundância de dados. O desempenho de escrita será um pouco menor, mas a de leitura será até mesmo um pouco melhor que em um drive único.

* Se você tem caminhões de dinheiro à disposição, use um SSD de 240-256GB como o drive de inicialização, e também para os programas e arquivos scratch. Coloque todos os dados em um segundo array RAID 0 2TB. (Dá para usar 3TB, mas você poderá encontrar alguns problemas técnicos com as BIOS de algumas placas-mãe, além de precisar configurá-los como partições GBT se estiver usando Windows.)

A não ser que você seja podre de rico, você ainda não vai construir uma estação de edição de mídia digital completamente baseada em SSD. A capacidade é mais importante. Se esse for o seu caso, vale mais explorar placas de hardware dedicadas a arrays RAID e RAID 10, ou algo do tipo.

A máquina de jogos matadora

Os jogos realmente se beneficiam com a velocidade dos SSDs — mas eles ocupam muito espaço. Se você só consegue cerca de US$ 1000 para montar uma máquina de jogos (nos EUA. No Brasil multiplique isso por 2, pelo menos), provavelmente SSDs são extravagância fora de questão.

Ou será que não?

Por menos de 100 dólares, é possível pegar um SSD de 60GB. Mas não use-o como drive de inicialização. Em vez disso, monte o seu sistema com um chipset Intel Z68 e use o pequeno SSD como cache para um HD maior, de pelo menos 1TB. (A Intel chama isso de “Smart Response Technology”.) Tudo que você precisa fazer é primeiro instalar o Windows no drive de disco rígido (certificando-se que o modo RAID está habilitado na BIOS do sistema), e então adicionar o SSD e configurá-lo como cache na RAID BIOS ou através dos softwares utilitários da Intel.

O chipset Intel Z68 junto com o Smart Response dá todo um novo gás a sistemas não tão caros, e pode fazer mais pelo desempenho do que comprar uma CPU mais rápida — ainda assim, para uma máquina de jogos, nós sacrificaríamos o SSD por uma GPU mais rápida se fosse necessário. Por enquanto, o Smart Response só existe no Z68, então os gamers com máquinas AMD ou Intel X58 triple channel não têm esta opção.


Este SSD Intel 510 de 250GB é uma solução excelente para uma máquina respeitável para games, se couber no seu bolso.

Se a verba para o seu PC gamer for generosa, um drive de 250GB pode dar conta de alguns programas e jogos; você ainda pode usar outro maior para o resto das coisas. Outra opção para quem tem grana é pegar um segundo SSD de 250GB e usá-los em modo RAID 0 — fazer assim costuma ser até mais barato do que pegar um SSD de 500GB hoje em dia.

As necessidades de cada um são diferentes, mas antigamente era mais simples: encontre um HD com a combinação certa de preço, capacidade e velocidade para a sua necessidade. Hoje, porém, os SSDs complicaram a equação, e a melhor solução para você pode ser uma combinação de HDD com SSD. Essa combinação, como sempre, só depende da sua verba, necessidades e inclinação técnica.

[gizmodo]

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Publicado em 27/08/2011, em Guias e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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